Paisagens de Palavras na Obra de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa

Paisagens de Palavras na Obra de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa

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O que é uma paisagem? E uma paisagem literária? E uma paisagem literária siciliana? Seria possível isolar, definir e conceituar termos como esses? E existiria uma especificidade tão marcada na descrição da paisagem dessa terra que é a maior ilha mediterrânea? Afinal, a paisagem literária é composta de palavras. Mas, como já afirmou David Lodge, a descrição, num bom romance, nunca é apenas descrição. Poderiam as palavras numa “descrição” evocar uma imagem tão nítida e complexa a ponto de a paisagem deixar de ser apenas a representação de um aspecto físico do ambiente no qual a trama se desenvolve para evocar sensações e sentimentos capazes de nos transportar para o mundo interior das personagens? É o que Fabiano Dalla Bona se propõe a explorar neste estudo primoroso a partir de alguns escritos de Giuseppe Tomasi de Lampedusa, como Recordações da infância e A sereia, mas sobretudo de seu grande sucesso: O leopardo, a “sensação literária” da segunda década do século XX na Itália, popularizada ainda mais para além das fronteiras italianas pelo primoroso filme de Luchino Visconti. Dalla Bona guia o leitor por um excursus paisagístico-literário e, como um paciente mosaicista, vai compondo tessela por tessela seu desenho progressivo, que reúne diversas visões sobre a caracterização da paisagem, interpelando diversas disciplinas que coloca em relação dialógica umas com as outras. Obtém, assim, um resultado surpreendente, que aponta para a consistência de alguns conceitos-chave, como os de paisagem literária e artealização, e os aplica com rigor aos textos de Lampedusa. A caracterização dos ambientes teve um desenvolvimento tardio na literatura, atuando de início como mero pano de fundo e, como todo pano de fundo, como um elemento intercambiável. Somente mais tarde ela se tornou objeto da atenção do Romantismo, que se dá conta do efeito que o ambiente é capaz de provocar no leitor e volta seu olhar para a beleza sublime da paisagem. Dalla Bona repercorre essa trajetória, mas vai além em sua análise, aplicável em certa medida a toda descrição paisagístico-literária. Nesse seu “passeio pelo passeio” do olhar e das letras, ele demonstra a importância central da paisagem, crucial não apenas para fazer o território “falar” como também para “se falar de” questões territoriais e identitárias — nesse caso específico, para a construção da identidade e de um ethos siciliano. Roberta Barni
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