Tipografia Vernacular

Tipografia Vernacular

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Um grupo de fotos sobre a mesa. E acima delas, o sorriso ansioso de uma aluna especial, que queria trabalhar com um tema que, na época, era pouco usual. Estávamos em 1996. Eram fotos de letreiros, avisos e placas que foi coletando ao longo de viagens pelo litoral do Rio de Janeiro e pelo resto do País. Lembrar de Mariana Rodrigues me dá prazer, mas fico triste também. Ela foi tão linda e talentosa, sorridente e séria. Uma pena perdê-Ia tão cedo. Por isso, ver este trabalho me traz de volta as tardes que veio à minha casa. Confesso que apertei a Mariana para ela colocar no papel todo o seu raciocínio sobre o tema. Lembro-me perfeitamente do dia em que ela chorou quando eu falei que ainda não estava bom. E voltou depois com um texto muito melhor. Mas sinto que, com isso, ela conseguiu fazer um dos melhores trabalhos de graduação que tive a oportunidade de orientar. Um verdadeiro legado que nos chega hoje às mãos. Estudando Panofski, Arnhein, Twyman, entre outros, seus primeiros capítulos vão levando o leitor a colocar e entender o que vem a ser a tipografia vernácula. A compreensão desta questão é construída com argumentos ora baseados na teoria, ora na história. Suas observações sensíveis e inteligentes são também originais. Ao declarar que, embora desviando das normas da tipografia impressa, os letreiros que recolheu apresentavam uma tipografia que era inteiramente conservadora dentro de sua esfera, ela diz algo que pode ser verificado: as fotos feitas há tantos anos poderiam ter sido tiradas ontem. Também sua visão para a adoção pelos designers de soluções vernaculares no futuro que se avizinhava verificou-se. Os exemplos que eram poucos na época, hoje, são abundantes. As classes que Mariana criou para analisar as fotos são diferentes do que tenho visto em análises similares, assim como os exemplos coletados se mantêm atuais, seus parâmetros de análise também continuam válidos.
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